REPORTAGEM DA GAZETA DO POVO SOBRE AUTOMODELISMO NO PARANA
Enviado: 19 Mar 2008, 20:39
AUTOMÓVEIS | AUTOMODELISMO publicado na edição impressa de 19/03/2008
Brincadeira de gente grande
por RENYERE TROVÃO
Os campeonatos de automodelismo seguem as regras de competições tradicionais e envolvem até profissionais da Stock Car na preparação dos carros
Até pouco tempo carrinho guiado por controle remoto era diversão de criança. Com o passar dos anos, os modelos ficaram maiores, tornaram-se réplicas idênticas de automóveis e muito mais potentes. Acabaram também virando o passatempo predileto de muitos adultos. Hoje em dia já existem campeonatos oficiais e pistas especialmente construídas para o automodelismo, como é conhecida essa prática cada vez mais difundida no país.
Divididos em formatos on-road e off-road e motores elétrico e a combustão, os minicarros são construídos na maioria em escalas 1:10, isto é, 10 vezes reduzidos do tamanho real de um carro. Os comandos são acionados por rádio-freqüência. Há duas classes de automodelo: uma voltada para o lazer e outra para a competição.
Não derrape na compra
Antes de adquirir um carro de automodelismo, é preciso saber exatamente onde pretende praticar. Se a idéia é apenas a diversão no quintal de casa, estacionamentos ou sítios, opte por modelos básicos, que já vêm montados de fábrica. Os preços partem de R$ 1.200. A linha off road é a mais procurada, formada por bugues e picapes. A suspensão elevada permite o uso em gramado, terra e pisos acidentados. “Evite por um off-road para correr numa pista de asfalto. O pneu irá desgastar rapidamente, além da pouca estabilidade em curvas”, alerta Manoel Fernando Sastori, da New Hobby.
O vendedor aponta que mesmo o formato on road básico não é ideal para acelerar num circuito. “As peças são mais frágeis e não suportam o estresse de competição. Diferente dos carros profissionais feitos em liga metálica e composto de carbono”. As lojas do ramo costumam orientar o cliente sobre a maneira correta de usar seu automodelo e oferecer assitência técnica pós-venda. Sastori explica, por exemplo, que os elétricos têm pouca saída devido ao custo elevado da bateria e sua baixa autonomia. Emerson Mendes, da CAAR, aconselha os interessados em competir que primeiro busquem informações com pessoas que já desfrutam do hobby. “Vá num fim de semana na pista da CAAR para conversar com praticantes mais experientes.”
De acordo com Emerson Mendes, cirugião-dentista e nas horas vagas presidente do Curitiba Associação de Automodelos Radiocontrolados (CAAR), o Paraná é o segundo maior praticante do país, atrás apenas de São Paulo. Por aqui acontece um campeonato paranaense, disputado por modelos on-road a combustão, com sete etapas e regras semelhantes às competições automobilísticas, como parada para reabastecimento e troca de pneus. Tem até profissionais da Stock Car envolvidos na preparação dos carros. “Os acertos de suspensão e carburação do motor podem definir uma prova. A regulagem é feita baseada nas condições da pista e do clima”, explica.
Para quem é apaixonado por velocidade e sempre sonhou em dirigir um carro de corrida, Mendes garante que a adrenalina de pilotar um automodelo é a mesma. Com uma vantagem: numa capotagem ou batida, o condutor não corre risco algum, afinal ele não está a bordo. O motor dois tempos produz quase 2 cavalos de potência, suficientes para levar o pequeno bólido à velocidade de 80 km/h. “Proporcionalmente isso equivale a um veículo de turismo correndo a quase 800 km/h. O giro do motor chega a 40.000 rpm (no Stock Car, por exemplo, a rotação é limitada em 6.000 rpm)”, frisa o presidente da CAAR.
O automodelismo profissional exige um bom investimento. Primeiro na aquisição do carrinho. O kit básico parte de R$ 2 mil. Para disputar o Paranaense, é cobrado R$ 50 de inscrição. Por etapa (geralmente duas no mês), o competidor gasta cerca de R$ 30 em combustível e R$ 45 no jogo de pneus. Como as batidas são inevitáveis, soma-se também os custos com peças danificadas, que podem variar de R$ 20, no caso da troca de uma coroa ou pinhão, a R$ 740, na quebra de um chassi. O valor da bolha (carenagem) está entre R$ 50 (nacionais) e R$ 90 (importadas), mas é possível passar uma temporada inteira sem a necessidade de trocá-la.
No início é recomendável recorrer a um serviço terceirizado de manutenção – a limpeza completa do carrinho é indispensável a cada corrida –, ao preço de R$ 100 por mês, valor que cobre também os treinos livres. “Com o tempo você acaba aprendendo a mexer no carro. Mesmo assim, ninguém fica na mão. Sempre tem alguém para ajudar”, destaca Mendes.
O Paranaense se divide em duas categorias: a Pro e a Light. A primeira é disputada por competidores experientes, enquanto na outra o predomínio são de iniciantes e pilotos em começo de carreira. A temporada 2008 já começou e a segunda etapa será no dia 20 de abril. Quem está no meio garante que o hobby acaba virando uma atividade paralela do dia-dia. “Você fica viciado. Nas semanas que antecedem as provas eu passo horas acertando o carro”, revela o curitibano Gabriel Brito, de 17 anos, campeão Brasileiro em 2006.
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Brincadeira de gente grande
por RENYERE TROVÃO
Os campeonatos de automodelismo seguem as regras de competições tradicionais e envolvem até profissionais da Stock Car na preparação dos carros
Até pouco tempo carrinho guiado por controle remoto era diversão de criança. Com o passar dos anos, os modelos ficaram maiores, tornaram-se réplicas idênticas de automóveis e muito mais potentes. Acabaram também virando o passatempo predileto de muitos adultos. Hoje em dia já existem campeonatos oficiais e pistas especialmente construídas para o automodelismo, como é conhecida essa prática cada vez mais difundida no país.
Divididos em formatos on-road e off-road e motores elétrico e a combustão, os minicarros são construídos na maioria em escalas 1:10, isto é, 10 vezes reduzidos do tamanho real de um carro. Os comandos são acionados por rádio-freqüência. Há duas classes de automodelo: uma voltada para o lazer e outra para a competição.
Não derrape na compra
Antes de adquirir um carro de automodelismo, é preciso saber exatamente onde pretende praticar. Se a idéia é apenas a diversão no quintal de casa, estacionamentos ou sítios, opte por modelos básicos, que já vêm montados de fábrica. Os preços partem de R$ 1.200. A linha off road é a mais procurada, formada por bugues e picapes. A suspensão elevada permite o uso em gramado, terra e pisos acidentados. “Evite por um off-road para correr numa pista de asfalto. O pneu irá desgastar rapidamente, além da pouca estabilidade em curvas”, alerta Manoel Fernando Sastori, da New Hobby.
O vendedor aponta que mesmo o formato on road básico não é ideal para acelerar num circuito. “As peças são mais frágeis e não suportam o estresse de competição. Diferente dos carros profissionais feitos em liga metálica e composto de carbono”. As lojas do ramo costumam orientar o cliente sobre a maneira correta de usar seu automodelo e oferecer assitência técnica pós-venda. Sastori explica, por exemplo, que os elétricos têm pouca saída devido ao custo elevado da bateria e sua baixa autonomia. Emerson Mendes, da CAAR, aconselha os interessados em competir que primeiro busquem informações com pessoas que já desfrutam do hobby. “Vá num fim de semana na pista da CAAR para conversar com praticantes mais experientes.”
De acordo com Emerson Mendes, cirugião-dentista e nas horas vagas presidente do Curitiba Associação de Automodelos Radiocontrolados (CAAR), o Paraná é o segundo maior praticante do país, atrás apenas de São Paulo. Por aqui acontece um campeonato paranaense, disputado por modelos on-road a combustão, com sete etapas e regras semelhantes às competições automobilísticas, como parada para reabastecimento e troca de pneus. Tem até profissionais da Stock Car envolvidos na preparação dos carros. “Os acertos de suspensão e carburação do motor podem definir uma prova. A regulagem é feita baseada nas condições da pista e do clima”, explica.
Para quem é apaixonado por velocidade e sempre sonhou em dirigir um carro de corrida, Mendes garante que a adrenalina de pilotar um automodelo é a mesma. Com uma vantagem: numa capotagem ou batida, o condutor não corre risco algum, afinal ele não está a bordo. O motor dois tempos produz quase 2 cavalos de potência, suficientes para levar o pequeno bólido à velocidade de 80 km/h. “Proporcionalmente isso equivale a um veículo de turismo correndo a quase 800 km/h. O giro do motor chega a 40.000 rpm (no Stock Car, por exemplo, a rotação é limitada em 6.000 rpm)”, frisa o presidente da CAAR.
O automodelismo profissional exige um bom investimento. Primeiro na aquisição do carrinho. O kit básico parte de R$ 2 mil. Para disputar o Paranaense, é cobrado R$ 50 de inscrição. Por etapa (geralmente duas no mês), o competidor gasta cerca de R$ 30 em combustível e R$ 45 no jogo de pneus. Como as batidas são inevitáveis, soma-se também os custos com peças danificadas, que podem variar de R$ 20, no caso da troca de uma coroa ou pinhão, a R$ 740, na quebra de um chassi. O valor da bolha (carenagem) está entre R$ 50 (nacionais) e R$ 90 (importadas), mas é possível passar uma temporada inteira sem a necessidade de trocá-la.
No início é recomendável recorrer a um serviço terceirizado de manutenção – a limpeza completa do carrinho é indispensável a cada corrida –, ao preço de R$ 100 por mês, valor que cobre também os treinos livres. “Com o tempo você acaba aprendendo a mexer no carro. Mesmo assim, ninguém fica na mão. Sempre tem alguém para ajudar”, destaca Mendes.
O Paranaense se divide em duas categorias: a Pro e a Light. A primeira é disputada por competidores experientes, enquanto na outra o predomínio são de iniciantes e pilotos em começo de carreira. A temporada 2008 já começou e a segunda etapa será no dia 20 de abril. Quem está no meio garante que o hobby acaba virando uma atividade paralela do dia-dia. “Você fica viciado. Nas semanas que antecedem as provas eu passo horas acertando o carro”, revela o curitibano Gabriel Brito, de 17 anos, campeão Brasileiro em 2006.
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