Para o Off-Road refletir...
Enviado: 14 Fev 2008, 08:53
Bom dia galera...
Tenho vivenciado o Off-Road a bem pouco tempo, talvez uns 3 meses ou pouco mais, e gostaria de deixar algums pensamentos para refletir...
De ante-mão, quero deixar claro que nada tenho contra buggys, truggys e monsters, menos ainda contra modelos específicos de carros. Isso tudo é muito pequeno e na minha opinião não limita o crescimento do esporte.
Participei bastante de alguns tópicos, o suficiente para tentar refletir sobre as razões pela qual um esporte que cresce tanto no mundo, vem se desenvolvendo pouco no Brasil. Muitas vezes eu ouvi de vcs que o R/C é um esporte caro, e que essa é uma das razões das limitações no desenvolvimento. Como trabalho com o triathlon e vivo ele a 20 anos, tenho certeza que essa não é a razão...e explico...
Vou contar um pouco da história do triathlon, mas entendam que meu único objetivo é ajudar vcs a desenvolverem o R/C, nada mais. Nem quero ditar as regras nem mais pretendo participar delas...
A 10 anos atrás, eu pagava 250 dollares para me inscrever em um ironman no Brasil e corria a prova mais longa do triathlon, disputando com pouco mais de 40 atletas. Hoje a inscrição do mesmo ironman custa 400 dollares e temos um limite de 1200 incrições, que se esgotam antes do início da prova a uns 3 anos. Se levarmos em conta que se paga próximo a 2 mil dollares por um bom quadro de bicicleta, e tenho vários alunos com bikes de 20 mil reais, estou certo de que o custo do esporte não limitou seu desenvolvimento...eu vivi isso...(para quem está confuso, sou engenheiro mecânico e também fisiologista, apesar das diferenças entre as profissões)
Analizando o trajetória do triathlon, que hoje já é esporte olímpico, analizo que os patrocínios sempre estiveram presentes nas competições, e como o objetivo de qualquer patrocinador e divulgação...eles mesmos fizeram o triathlon chegar aos 4 cantos do país. O triathlon é regulamentado por duas entidades mundiais a ITU e a WTC. Duas "cartolagens", podemos chamar assim. Cada uma dela tem suas regras e todas as provas do mundo, seguem uma ou outra. Temos aqui em Santos, umas das provas mais regulares do mundo, sendo disputada a 18 anos nos mesmos exatos moldes da WTC, desde 1990. Essa regra rígida e inflexível imposta pelo organizador daqui, já foi radical a ponto de desclassificar um tricampeão mundial por desacato a um fiscal, sendo que era a primeira vez que Spencer Smith pisava em solo nacional. Para um leigo, essa "intrasigência" poderia causar prejuizo ao esporte no país, já que Spencer falou o que podia e o que não podia à imprensa internacional. Por outro lado, os outros 900 atletas amadores que disputavam a prova ficaram certos da importancia da regra e que ela valia para todo mundo...e se um dia algum atleta nosso resolver correr um prova na Tailândia, ele vai até la certo de que as regras serão as mesmas. Isso leva credibilidade aos patrocinadores e viabiliza o desenvolvimento.
Voltando ao R/C...não vou mais entrar no mérito das características das regras da Roar, nem mesmo em qual carro se enquadra e qual não, se alguém está prejudicado ou beneficiado por ela...estou pensando acima disso, pois tenho certeza que o desenvolvimento de um esporte custará para alguns, sem dúvida, até para tricampeões mundiais...
O que quero que vcs reflitam é que se a ROAR já está criada e aceita nas competições mais renomadas do mundo, talvez seja algo a considerar. Se tivéssemos provas aqui, baseadas nas regras dela, pilotos que fossem nossos campeões teriam qualildade suficiente para competir lá fora, pois foram concebidos sob a mesma regra...e mais que isso, teriam condição de competir em todas as pistas que tivermos, sempre em condição de igualdade. Eu gostaria de comprar um Buggy, pois seus campeonatos já estão mais definidos, mas insisti em um Truggy, pois gosto da categoria e sei se só com mais participantes ela se desenvolverá também...
No último final de semana o Edcler, dono da Dust, deve ter se visto em uma baita "sai justa" com relação ao impasse dos hellfires, truggys e, monsters. Ele naturalmente não quer desagradar os donos de hellfires e nem os outros. Então para resolver a questão, sem trazer a responsabilidade para ele, resolveu abrir um enquete para que os próprios pilotos decidam as regras...(me lembro na ocasião em que o Tri-mundial foi desclassificado em Santos, em que todos os athletas a principio foram contra a organização...certamente uma enquete absolveria o Spencer da desclassificação..afinal ele era o Spencer e quem era o merdinha do fiscal? pouco importa...era "o" fiscal). Qual o risco da decisão acontecer dessa forma? O Risco é que se a opinião de 10 praticantes de uma determinada pista determina suas regras, teremos um regra para cada pista...e possivelmente nenhuma regra sob a qual os pilotos da Dust pudessem correr no Aerosampa ou em qualquer outra pista do país. Isso pode funcionar em comum acordo para o compeonato de vcs ai na Dust, mas certamente vai limitar o esporte de vcs a esses 10 carrinhos...
Quando o barulho de um motor Glow arrepiou os pelos do meu braço, percebi que isso aconteceria com qualquer pessoa que tivesse contato com tal barulho. Se hoje conseguimos fechar Santos inteiro, a maior parte da ruas, durante uma manhã inteira, várias vezes ao ano...que tipo de limitação vc acha que se encontraria para que uma competição Off-road acontecesse nas areias no Gonzaga? Que tipo de divulgação se conseguiria com isso? Crianças e marmanjos a 3 km correriam até lá para descobrir que bixo é aquele que grita tanto... Patrocinadores teriam interesse? Sem dúvida. Até a Kyosho teria interesse, rs rs rs. As prefeituras não estão fechadas a eventos promisores...tenham certeza. Isso já devia ter acontecido no meio do Ibirapuera, não apenas escondido em chacaras e interiores, distantes dos olhos da população..
Triste é enchergar que isso é totalmente viável, mas com pouca gente no esporte e acima de tudo, muito mais interessadas em brincar do que em desenvolver, não vamos muito longe. Seria preciso organização, e regras, doa a quem doer. Não acredito prudente que se crie regras baseadas em opiniões de 10 pessoas, principalmente se essas 10 pessoas são uma representação significativa do esporte...isso fecha portas ao invéz de abrir...
Vejo que muita gente qualificada para que o esporte se desenvolva, está calada para não bater de frente com uma minoria que na verdade, nem é contra o desenvolvimento...apenas não enxerga como ajudar ou pensa em benefício próprio...
Me desculpe pelo texto longo...
Boa sorte a todos e enquanto não temos um esporte mais desenvolvido...vamos brincar de carrinhos...
Era isso...
Tenho vivenciado o Off-Road a bem pouco tempo, talvez uns 3 meses ou pouco mais, e gostaria de deixar algums pensamentos para refletir...
De ante-mão, quero deixar claro que nada tenho contra buggys, truggys e monsters, menos ainda contra modelos específicos de carros. Isso tudo é muito pequeno e na minha opinião não limita o crescimento do esporte.
Participei bastante de alguns tópicos, o suficiente para tentar refletir sobre as razões pela qual um esporte que cresce tanto no mundo, vem se desenvolvendo pouco no Brasil. Muitas vezes eu ouvi de vcs que o R/C é um esporte caro, e que essa é uma das razões das limitações no desenvolvimento. Como trabalho com o triathlon e vivo ele a 20 anos, tenho certeza que essa não é a razão...e explico...
Vou contar um pouco da história do triathlon, mas entendam que meu único objetivo é ajudar vcs a desenvolverem o R/C, nada mais. Nem quero ditar as regras nem mais pretendo participar delas...
A 10 anos atrás, eu pagava 250 dollares para me inscrever em um ironman no Brasil e corria a prova mais longa do triathlon, disputando com pouco mais de 40 atletas. Hoje a inscrição do mesmo ironman custa 400 dollares e temos um limite de 1200 incrições, que se esgotam antes do início da prova a uns 3 anos. Se levarmos em conta que se paga próximo a 2 mil dollares por um bom quadro de bicicleta, e tenho vários alunos com bikes de 20 mil reais, estou certo de que o custo do esporte não limitou seu desenvolvimento...eu vivi isso...(para quem está confuso, sou engenheiro mecânico e também fisiologista, apesar das diferenças entre as profissões)
Analizando o trajetória do triathlon, que hoje já é esporte olímpico, analizo que os patrocínios sempre estiveram presentes nas competições, e como o objetivo de qualquer patrocinador e divulgação...eles mesmos fizeram o triathlon chegar aos 4 cantos do país. O triathlon é regulamentado por duas entidades mundiais a ITU e a WTC. Duas "cartolagens", podemos chamar assim. Cada uma dela tem suas regras e todas as provas do mundo, seguem uma ou outra. Temos aqui em Santos, umas das provas mais regulares do mundo, sendo disputada a 18 anos nos mesmos exatos moldes da WTC, desde 1990. Essa regra rígida e inflexível imposta pelo organizador daqui, já foi radical a ponto de desclassificar um tricampeão mundial por desacato a um fiscal, sendo que era a primeira vez que Spencer Smith pisava em solo nacional. Para um leigo, essa "intrasigência" poderia causar prejuizo ao esporte no país, já que Spencer falou o que podia e o que não podia à imprensa internacional. Por outro lado, os outros 900 atletas amadores que disputavam a prova ficaram certos da importancia da regra e que ela valia para todo mundo...e se um dia algum atleta nosso resolver correr um prova na Tailândia, ele vai até la certo de que as regras serão as mesmas. Isso leva credibilidade aos patrocinadores e viabiliza o desenvolvimento.
Voltando ao R/C...não vou mais entrar no mérito das características das regras da Roar, nem mesmo em qual carro se enquadra e qual não, se alguém está prejudicado ou beneficiado por ela...estou pensando acima disso, pois tenho certeza que o desenvolvimento de um esporte custará para alguns, sem dúvida, até para tricampeões mundiais...
O que quero que vcs reflitam é que se a ROAR já está criada e aceita nas competições mais renomadas do mundo, talvez seja algo a considerar. Se tivéssemos provas aqui, baseadas nas regras dela, pilotos que fossem nossos campeões teriam qualildade suficiente para competir lá fora, pois foram concebidos sob a mesma regra...e mais que isso, teriam condição de competir em todas as pistas que tivermos, sempre em condição de igualdade. Eu gostaria de comprar um Buggy, pois seus campeonatos já estão mais definidos, mas insisti em um Truggy, pois gosto da categoria e sei se só com mais participantes ela se desenvolverá também...
No último final de semana o Edcler, dono da Dust, deve ter se visto em uma baita "sai justa" com relação ao impasse dos hellfires, truggys e, monsters. Ele naturalmente não quer desagradar os donos de hellfires e nem os outros. Então para resolver a questão, sem trazer a responsabilidade para ele, resolveu abrir um enquete para que os próprios pilotos decidam as regras...(me lembro na ocasião em que o Tri-mundial foi desclassificado em Santos, em que todos os athletas a principio foram contra a organização...certamente uma enquete absolveria o Spencer da desclassificação..afinal ele era o Spencer e quem era o merdinha do fiscal? pouco importa...era "o" fiscal). Qual o risco da decisão acontecer dessa forma? O Risco é que se a opinião de 10 praticantes de uma determinada pista determina suas regras, teremos um regra para cada pista...e possivelmente nenhuma regra sob a qual os pilotos da Dust pudessem correr no Aerosampa ou em qualquer outra pista do país. Isso pode funcionar em comum acordo para o compeonato de vcs ai na Dust, mas certamente vai limitar o esporte de vcs a esses 10 carrinhos...
Quando o barulho de um motor Glow arrepiou os pelos do meu braço, percebi que isso aconteceria com qualquer pessoa que tivesse contato com tal barulho. Se hoje conseguimos fechar Santos inteiro, a maior parte da ruas, durante uma manhã inteira, várias vezes ao ano...que tipo de limitação vc acha que se encontraria para que uma competição Off-road acontecesse nas areias no Gonzaga? Que tipo de divulgação se conseguiria com isso? Crianças e marmanjos a 3 km correriam até lá para descobrir que bixo é aquele que grita tanto... Patrocinadores teriam interesse? Sem dúvida. Até a Kyosho teria interesse, rs rs rs. As prefeituras não estão fechadas a eventos promisores...tenham certeza. Isso já devia ter acontecido no meio do Ibirapuera, não apenas escondido em chacaras e interiores, distantes dos olhos da população..
Triste é enchergar que isso é totalmente viável, mas com pouca gente no esporte e acima de tudo, muito mais interessadas em brincar do que em desenvolver, não vamos muito longe. Seria preciso organização, e regras, doa a quem doer. Não acredito prudente que se crie regras baseadas em opiniões de 10 pessoas, principalmente se essas 10 pessoas são uma representação significativa do esporte...isso fecha portas ao invéz de abrir...
Vejo que muita gente qualificada para que o esporte se desenvolva, está calada para não bater de frente com uma minoria que na verdade, nem é contra o desenvolvimento...apenas não enxerga como ajudar ou pensa em benefício próprio...
Me desculpe pelo texto longo...
Boa sorte a todos e enquanto não temos um esporte mais desenvolvido...vamos brincar de carrinhos...
Era isso...