Então pessoal, conforme prometido...
Vamos ao passo a passo resumido do meu sistema de iluminação do Kyosho DRT.
fabiomparra, a lógia é sempre a mesma, o que muda entre as duas instalações são só os detalhes. Como você também nos demonstrou, não tem seguredo! No meu caso a briga é em obter a tensão e a corrente desejada. A diferença aqui é que a minha variável principal é a fonte enquanto no seu caso é a carga.
Então vamos lá!
A CONSIDERAR:
1. Apesar de ser um trabalho totalmente manual, o feito é perfeitamente possível, afinal, não há processos críticos envolvidos.
2. Apesar desta versão ter sido elaborada para o Kyosho DRT, nada impede que com pequenos ajustes o princípio funcione também em outros carros, quem sabe até aeros (alguém se habilitaria nas taxi lights?! Ficariam show!)
3. Elaborei todo o mecanismo com base em 3 pré-requisitos:
a) Ser barato (não requer argumentos aqui...!);
b) Não alterar a estrutura original de fábrica do carro (com exceção de algumas trocas e ajustes de parafusos) a fim de não depreciá-lo e permitir a volta sem sequelas caso você desista do opcional depois, e;
c) O principal, ser replicável (se eu fiz, você pode fazer também).
4. Os 3 itens acima diferenciam o projeto de uma gambiarra qualquer, afinal, caracterizam algum planejamento.
5. Fiz este mini tutorial de forma que eu apenas demonstrasse a exata maneira utilizada por mim para confecção desta versão do sistema de iluminação.
Por questões de simplificação não ensinarei com fazer e sim demonstrarei as minhas soluções encontradas para os problemas emergentes. Pretendo com isso tornar menos enfadonho e trabalhoso o tutorial, permitir que eu adiante alguma informação (afinal, meu tempo é meio rigoroso e elaborar um tuto completo demoraria bastante!) e também permitir que cada um faça uma análise ativa do projeto, exercendo sua criatividade e mentalizando suas próprias soluções. Por outro lado, para qualquer dúvida que surja, estarei inteiramente à disposição, ensinando se necessário, onde necessário e quando necessário, gradativamente, conforme as dúvidas forem surgindo.
6. Sempre que você encontrar um asterisco * significa que, nesta parte do projeto podem haver variações, alternativas segundo a solução que eu encontrei. A grande maioria destas alternativas já foram estudadas por mim, onde saberia dizer exatamente quais seriam os resultados obtidos, apesar de não os terem descritos aqui. Aliás, a função deste * é exatamente permitir o máximo de objetividade, não tendo de descrever todas as alternativas e seus efeitos. De qualquer forma, se alguém tiver curiosidade em saber de uma em específico, basta me perguntar.
7. E não há segredos! Tudo que você irá precisar é de alguns componentes relativamente fáceis de conseguir, alguma habilidade manual com a mecânica, eletricidade (não eletrônica), com as ferramentas utilizadas e a única exceção, a paciência, que você deverá ter sobrando!
1.
A fonte de energia. Pilhas não inclusas!
O sistema não é movido à pilhas ou baterias. É movido a geração própria de energia, através do motor do carro, com a queima do nosso valioso nitro!
2.
O "gerador". O falso gerador!
Não existe gerador! Utilizei na verdade um pequeno motor elétrico CC, escovado, que mesmo em baixa rotação é capaz de produzir alguma energia útil para acender os LEDs. Então, apesar de idêntico a um gerador (dínamo), no nosso caso não é um!
Utilizei aquele motorzinho de discman * (hoje já não muito utilizado em diskmans!), mas que ainda também é encontrado com facilidade em sucatas de drivers leitores de CD de computadores, aparelhos de DVDs, aparelhos de som, os responsáveis por ejetar o compartimento do disco. Não é difícil encontrá-los, podem acreditar. Estão por toda parte!
Foto 1: O motor gerador e a estrutura em arame galvanizado que o sustenta, as duas astes presas nos dois parafusos das extremidades da caixa de diferencial central.
3.
Acoplando o gerador ao carro: A etapa crítica do projeto.
Um dos pré-requisitos é não alterar a estrutura original do carro, então, aproveitei dois dos quatro parafusos da tampa da base do diferencial central para fixar o gerador ao chassi do carro.
A estrutura de fixação (gerador X chassi) eu confeccionei de arame galvanizado 16 BWG *, soldado (solda branca, para eletrônica) diretamente à carcaça do gerador e moldado para perfeita conformação aos dois parafusos escolhidos do chassi.
Projetei a estrutura para que o eixo do gerador ficasse perfeitamente paralelo ao eixo do motor, numa distância apropriada para o correto ajuste da correia, no comprimento de que eu dispunha e que as polias ficassem bem alinhadas, dificultando o escape da correia durante a operação, principalmente em altas rotações. Veja a última foto acima.
O processo de ajuste da correia e consequentemente a calibragem da estrutura de arame é o último ajuste a se fazer, o qual eu fiz por experimentação depois que todos os demais procedimento foram concluídos.
Utilizei uma correia original do motor gerador, presente em drivers de CD de computadores, responsável por ejetar a gaveta.
A polia do motor gerador eu não tinha, então, providenciei apenas uma pequena capa de borracha para o eixo do mesmo, feita de capa de fio paralelo flexível grosso (o suficiente para revestir o eixo com alguma pressão, sem folgas). Esta capa contribui para aumentar o diâmetro do eixo do gerador (ao mesmo tempo que contribui para aproximar a sua rotação com a do motor) e não permitir que a correia deslize durante o funcionamento. *
A polia do motor eu elaborei substituindo o parafuso original da ponteira do eixo, philips, por um de maior comprimento (exatamente de mesma rosca, é claro).
Adicionei uma arruela e uma porca (perfeitamente adaptáveis ao parafuso original, claro!), nesta ordem, e fixei-o de volta à ponta do eixo.
Conforme as fotos a seguir, você pode perceber que a partir de agora temos uma polia relativamente eficiente para comportar a correia do gerador. A estria da porca utilizada também acaba por se tornar bastante providencial, uma vez que ajuda a não permitir que a correia deslize com facilidade no eixo do motor. Tecnologia!
Foto 2: Vista superior da "polia" feita para o eixo do motor.
Foto 3: Vista lateral (por baixo do silencioso do escapamento) da "polia" feita para o eixo do motor.
4. A instalação elétrica. Mamão com açúcar!
Agora chega a etapa gostosa e terápica do projeto: A instalação elétrica.
Tenho as duas saídas do gerador: o neutro e o fase.
Eu tenho 2 tipos de iluminação a abastecer com esta energia obtida do gerador: os faróis e faroletes (ligados simultaneamente) e os sinais de freio.
Para os faróis e os faroletes apenas fiz ligação direta com o gerador. Um neutro e um fase para cada um dos LEDs utilizados, ligados paralelamente.
Para os sinais de freio há o detalhe do interruptor, acionado junto com o mecanismo de freio do carro.
Quando você aciona o freio o interruptor liga, quando solta o freio, o interruptor desliga. Simples assim!
Utilizei uma pequena chave especialmente projetada para este fim, de acionamento por mecanismo.
Esta pequena chavinha, na segunda foto da sequência abaixo, você pode facilmente encontrar em sucatas de mecanismos de impressoras, no próprio drive de CD dos computadores (utilizada como limitadora de movimento dos carros de leitura de disco) e em inúmeros outros equipamentos. Trata-se também de um componente facílimo de ser encontrado.
Fixei esta chave ao primeiro braço de freio, aquele que aciona o freio do primeiro disco no suporte do diferencial central. Veja na foto.
O posicionamento eu também fiz por experimentação, e neste caso em específico, com a adição de um pequeno cálcio, facilitando a calibragem da mesma.
Neste modelo de interruptor, se não há pressão sobre seu pino superior, seu estado é ligado. Se há pressão, seu estado é desligado. Note que sua ação é contrária a da maioria dos interruptores e chaves comuns, exatamente pelo seu tipo de emprego.
Basicamente, nisto consiste o projeto.
OBS.: Vocês verão na foto que o motor gerador utilizado por mim é um pouco maior que o indicado. Acontece que no momento estou testando este modelo na esperança de obter mais tensão e corrente. Ainda não iniciei os testes! Assim que concluir aviso.
Foto 4: Vista superior da instalação elétrica a partir do motor gerador.
Foto 5: Detalhe da chave interruptora de acionamento do sinal de freio, presa em uma das astes do disco traseiro de freio.
Daqui pra frente não há maiores considerações a fazer.
O fase distribuído aos sinais de freio deve passar antes pelo interruptor de freio, logicamente.
A instalação feita na carenagem utiliza LEDs (Light Emitting Diodes) em substituição às lâmpadas tradicionais em função de seu baixo consumo, resistência e versatilidade. Nenhuma novidade até aqui!
Utilizei fio esmaltado 32AWG para instalação na parte interna da bolha, na posição mostrada nas fotos, mais protegida possível das rodas e objetos que eventualmente possam ocasionar sua ruptura. A fixação destes fios foi feita com "pingos" de cola quente, mais ou menos de 3 em 3 cm.
Os conectores também foram confeccionados manualmente *, no meu caso, mas temos hoje no mercado opções bem viáveis e próprias para este tipo de instalação. Lembrando apenas que o mesmo deve ser de 3 fases.
Entre o chassi e a bolha eu utilizei fio cabinho, pela flexibilidade e estética.
Foto 6: Instalação elétrica saindo do chassi em direção à bolha. Notem que há uma sobra proposital do fio cabinho que sai do chassi, para mobilidade da bolha na retirada para partida e reabastecimento. É importante sempre enrola-la numa das astes suporte da bolha para não enroscarem nas partes móveis do carro, principalmente pneus. Cuidado com eles aqui!!!
Foto 7: Vista interna da bolha, na conexão da instalação com os LEDs dos faróis (alto e baixo).
Figura 8: Distribuição dos fios cabinho para os fios rígidos esmaltados (mais indicados para a bolha por serem mais firmes e ocuparem menos espaço).
Figura 9: Detalhes dos "conectores caseiros" que permitem separar a instalação da bolha do chassi, se eventualmente necessário.
Enfim...
Haa! Já ia me esquecendo! É ecologicamente correto no que diz respeito ao reaproveitamento de materiais antes sucateados, destinados ao lixo na maioria dos casos.
Espero comentários e dúvidas e, quem sabe, outros autos iluminados por aí!
Estarei sempre à disposição para as dúvidas.
Abraços a todos.